Fortaleza - CE | 10 de Junho de 2012 |



O Diretório Acadêmico Tristão de Athayde manifesta repúdio às recentes atitudes da Diretoria do Centro de Humanidades da Universidade Federal do Ceará (UFC). No dia 25 de maio, a Diretora de Centro Vládia Maria Cabral Borges, acompanhada de alguns trabalhadores da segurança terceirizada da universidade, esteve no Bosque da Área 1 do Centro de Humanidades, confiscando, de maneira autoritária, garrafas de bebidas dos estudantes que estavam no evento Implosão Sonora. A diretora não chegava a pedir que as pessoas lhe entregassem as bebidas, simplesmente mandava, e os seguranças, sob suas ordens, confiscavam, à fina força, as garrafas das mãos das pessoas.

É preciso que se diga que os guardas que trabalham na segurança da UFC são guardas patrimoniais. Eles têm a função somente de resguardar e proteger o patrimônio público. Mas a nova Diretoria de Centro parece tão preocupada com os estudantes que já os considera patrimônio público da União.

Ora, nos coquetéis realizados na Reitoria, usualmente há consumo de bebidas alcoólicas. A determinação de que não pode haver bebida alcoólica na universidade serve claramente apenas para alguns.

No episódio citado, depois de ser demasiadamente questionada pelos estudantes, a Diretora de Centro e educadora Vládia Borges parou de confiscar as bebidas. Porém, o evento teve de terminar com uma hora de antecedência, impedindo, de forma desrespeitosa, que as bandas que tentavam mostrar sua produção musical continuassem a tocar. A atitude da Diretora do Centro de Humanidades demonstra abuso da influência que o cargo lhe proporciona, uma vez que tinha ficado previamente estabelecido que o evento iria até 10 h da noite.

Lembramos também que, durante a semana que antecedeu as últimas eleições para DCE, a Reitoria liberou a Concha Acústica para uma caravana organizada pela União da Juventude Socialista (UJS) e pela União Nacional dos Estudantes (UNE),  forças que compunha a Chapa 2-DCE de Verdade, que ganhou as eleições. Durante o evento, foram consumidas, deliberadamente, bebidas alcoólicas. O que mostra novamente tratamento diferenciado de acordo com o local da Universidade onde o evento ocorre e também de acordo com quem o promove.

No referido evento, um estudante de Comunicação Social foi trancado dentro da sala do Departamento de Vigilância e Segurança (DVS) da UFC - na qual outras pessoas foram impedidas de entrar - para ser intimado e ameaçado de ser autuado pela Polícia Federal, tendo sido vistoriados seus documentos e comprovante de matrícula, porque estava em posse de um cigarro de maconha.

A questão vai para além de sermos a favor ou não do consumo ou legalização da substância. O que questionamos é a abordagem, forçada e inescrupulosa, que foi feita na presença de todos os presentes no  Implosão Sonora. O estudante teve um tratamento inadequado, foi humilhando.

Aproveitamos para chamar atenção para o fato de que, recentemente, a Pró-reitora de Assuntos Estudantis, a diretora do Restaurante Universitário (R.U.) e o Pró-reitor de Administração da UFC foram exonerad@s, após a denúncia de uma empresa que concorreu no pregão pela multimilionária licitação do R.U. Por que a comunidade acadêmica não recebe explicações acerca disso? Duas matérias publicadas no Jornal O Povo trazem mais informações sobre o fato: http://migre.me/9i8rK, http://migre.me/9i8so.

Destacamos ainda que a Liga Experimental de Comunicação, projeto de extensão do curso de Comunicação Social, teve de cancelar a reunião de planejamento semestral. Apesar de o projeto ter emitido ofício para a liberação do espaço, como exige a burocracia da Instituição, a Diretoria de Centro proibiu que a reunião ocorresse. Os estudantes chegaram a entrar na universidade, mas foram convidados a se retirar pelos seguranças. Pode-se alegar que não havia como garantir a segurança dos estudante no sábado, contudo, no mesmo dia o Projeto Novo Vestibular (PNV) estava tendo aulas. Novamente, não está claro para quem as regras se aplicam. Por que o CH pode ser usado para o Cursinho e não para os estudantes universitários?

Além disso,  um professor do curso de Jornalismo quase foi impedido de utilizar o espaço da UFC, durante um sábado, para realizar uma entrevista, que constaria em uma tradicional revista da Comunicação.

A universidade pública deve estar a serviço da população. Deve ser uma extensão da calçada da rua. O povo deve frequentá-la e acessá-la, em pleno exercício do tripé: Ensino, Pesquisa e Extensão. O que não parece ser o pensamento da administração da UFC que em 2011 cogitou por catracas na entrada de todos os seus blocos didáticos e exigir a comprovação de matrícula para que os estudantes pudessem ter acesso à Universidade.

O Diretório Acadêmico Tristão de Athayde, sob a gestão Quero Ver Crescer Nossa Voz, opõe-se a esse cerceamento dos espaços, que vem sendo exercido em todos as unidades acadêmicos de nossa universidade. O estudante universitário está sendo proibido de usar a universidade para desenvolver suas atividades, mesmo sendo elas acadêmicas. Está sendo impedido de conviver no ambiente universitário. Preocupante.

“Em uma situação de opressão, quem se cala está optando pelo lado do opressor”.
Diretório Acadêmico Tristão de Athayde

3 Responses so far.

  1. Petro says:

    Estive no evento. Ia de vento em popa quando, de uma hora pra outra, começou a repressão: garrafas de bebida sendo confiscadas; um aluno preso numa sala sob o terrorismo de ação prometida de chamamento da Polícia Federal por aquele estar portando um cigarro de maconha. Mero bode expiatório. O show foi interrompido, o que é uma atitude anti-democrática por parte da Diretoria do Centro de Humanidades, quando, enquanto instância de poder maior, promoveu o terror impedindo a continuidade dos festejos. A repercussão foi um protesto onde reverberaram as vozes dos estudantes. Visto assim, o caso pode parecer mais um de abuso de autoridade; mas, vai além. O sistema, sob o comando da Diretora Vládia, impediu uma ação de maior liberdade e espontâneidade dos alunos, e denegriu direitos de expressão e popularidade promovidos na ocasião. Ainda que protestasse-mos na ocasião, isto não foi o bastante. Deveríamos sim, ter lutado e imprimido a força, quando os motivos no momento eram de caráter despóticos. Subir ao palco e fazer com que as apresentações fossem até o final era a medida certa, da qual omitimo-nos e redizimo-nos a griar palavras de ordem; é claro que isso - também - deve ser feito, mas pareceu pouco e, enquanto nos bastidores poderiam-se estarem a rir os poderosos de nossos prosaicos berros por o fim à caretice, contentamo-nos com o encerramento por ali mesmo e que cada um fosse pra casa. Atenção! Da próxima vez, devemos ir até o fim, ou seja, agir e reclamar o direito ainda que seja na força; pelo simples motivo que estamos exercendo nosso dever de cidadãos. A ditadura acabou!

  2. Germana says:
    Este comentário foi removido por um administrador do blog.
  3. Este comentário foi removido por um administrador do blog.

Leave a Reply